domingo, 29 de outubro de 2017

Novamente falando de Portfolio de Mínima Variância ...

Olá pessoal,

Tenho sido questionado por email sobre a utilidade da Moderna Teoria do Portfólio (vai continuar sendo chamada de Moderna apesar dos mais de 60 anos), se afinal devemos fazer os cálculos que ela propõe e aplicar na composição das carteiras de ações.

Já discutir isso aqui no blog, mas vou tentar sintetizar em dois pontos. Para a MPT ser aplicada, temos de considerá-la verdadeira. Isso só acontece se:

1- A função de utilidade dos investidores é quadrática.
O que isso quer dizer? Que quanto maior a riqueza, maior a aversão ao risco.
Isso não acontece na prática com as carteiras analisadas e contradiz o conceito do Homos economicus acadêmico. Nem mesmo a teoria da prospecção concorda.

2- A distribuição dos retornos é normal.
A distribuição dos retornos nos ativos é leptocúrtica com desvio à esquerda, ou seja, apresenta maiores distribuições nas caudas e com predominância na área negativa dos retornos.
Este ponto especificamente tem sido melhorado com a teoria pós-moderna do portfólio ao considerar a semi-variância ou invés do desvio-padrão como medida de volatilidade.

Não preciso dizer que a Teoria é linda na teoria. Apenas isso. Devemos ignorá-la? De modo algum. Ela deve sempre permear nossos pensamentos na composição dos portfólios. O que não podemos é inserir os dados na planilha e copiar os resultados para a carteira real.

Outra coisa já bastante debatida... no modelo padrão, risco é assumido como desvio-padrão. Essa variância considera ambos retornos, positivos e negativos, quando na realidade o risco está nos retornos negativos. Este ponto já foi acertado pelo modelo de semi-variância da Teoria Pós-Moderna do portfólio.

Nosso Setup Holanda Trader já incorpora este conceito de risco apenas como downside. Risco para nós (e aí sim vale na prática) é a possibilidade de perdas, portanto as grandes oscilações positivas não entram como risco para nós. Este conceito da Teoria Pós-moderna já é utilizado pelos nossos clientes e vem dando excelentes resultados.

Acredito que com essa simples conclusão vamos evitar discussões desnecessárias por email sobre se utilizo ou não o cálculo da variância para compor minha carteira baseado em Markowitz.

Para quem não conhece ambas teorias, sugiro ler os inúmeros trabalhos já existentes sobre o tema ou fazer cursos de especialização na área. O objetivo do blog é dar um enfoque prático às nossas operações reais de mercado e não ficar discutindo o que já há de consolidado em livros e artigos científicos.

Abraço a todos e bons trades,
Holanda Trader

sábado, 7 de outubro de 2017

Cryptocurrencies

Olá amigos!

Finalmente!

Levei alguns meses pesquisando diariamente formas de operar criptomedas... nehuma das formas tradicionais parecia dar bons resultados.

Estava buscando algo que permitisse aproveitar as fortes puxadas de alta, e sair nos recuos das moedas e tokens. Uma estratégia que permitisse operar a favor da tendência, nunca tentando adivinhar topos e fundos como Elliott Wave, porém ao mesmo tempo que permitisse sair do mercado caso o ativo iniciasse um recuo.

Não há análise fundamentalista de criptomoedas. Ou talvez exista, basta qualquer um criar, imaginar, prospectar um futuro brilhante para qualquer moeda ou token. Este tipo de análise não tem credibilidade.

A verdade está no que os preços nos contam! Se começam a subir, a tendência é de alta. Não tem como ser enganado neste sentido. Se for uma bolha e estourar em breve, sairemos no início da queda e não ficaremos torcendo para o mercado se recuperar. Não torcemos. Operamos friamente.

Foram centenas de testes. Tentei inserir quase todos os setups que conheço. Sim, dá muito trabalho e leva meses de backtestes. Não temos ainda um software que execute os testes, então todo trabalho é feito na mão.

O importante é que consegui. Tenho hoje um Setup Holanda Trader Cryptos adaptado a este mercado, que tem dado rentabilidade superior às assessorias internacionais do assunto que venho acompanhando. Das nacionais nem comento, pois são uma piada ainda, verdadeiros esquemas de arrecadar dinheiro dos incautos, apesar da boa vontade dos analistas da área. Não dá para recomendar criptomoedas baseado em expectativas futuras. Tem que ser uma estratégia técnica que permita lucrar. E muito, para compensar o alto risco desses "ativos".

O Setup Holanda Trader Cryptos está disponível para todos os assinantes da nossa consultoria Holanda Trader, sem custo adicional.

Agora temos além de estratégias em renda fixa, ações, dólar, fundos imobiliários, ouro e commodities agrícolas, a novidade: cryptomoedas.

Os melhores traders da área que conheço estão nos EUA, multiplicaram seu patrimônio em quase 10 vezes e estão operando com financeiro reduzido devido a atual lateralidade do mercado (possível onda 4).

E você? Tem conseguido ganhos consistentes usando análise técnica em criptomoedas? Conte-nos sobre seus ganhos em holandatrader@hotmail.com

Abraço a todos e bons trades,
Holanda Trader

domingo, 1 de outubro de 2017

Como fazemos o que fazemos

Olá pessoal,

         Sou ocasionalmente questionado sobre a estratégia que utilizo para as recomendações de compra e venda de ações, moedas e comodities na Assessoria Holanda Trader. Internacionalmente é chamada de estratégia Time Series Momentum, ou mais facilmente como Estratégia Seguidora de Tendência.

         Como o nome diz, seguimos tendências. Não criamos tendências nem movimentos de mercado. Simplesmente seguimos quando elas aparecem. Ou seja, ficamos de fora de alguns mercados por muitos meses ou até anos. Quando determinado mercado (pode ser taxa de juros, ouro, boi, milho, soja, café, ações, futuros, opções, dólar, euro e criptomoedas) inicia um movimento e o algoritmo que desenvolvi (algoritmo é um conjunto de regras programadas, critérios pré-determinados) identifica como um potencial início de tendência, ele dá um sinal gráfico na minha plataforma, sugerindo entrar no movimento. Muitas vezes o movimento é frustro, ou seja, ele inicia, nós entramos, e logo em seguida ele reverte e frustra nossas expectativas que são sempre de continuação do movimento. Quando isso ocorre, existe um ponto de perda que o algoritmo identifica como o limite máximo, e então ele ordena que saiamos da posição. Somos obrigados a vender a posição se estivermos comprados, ou comprar se estivermos vendidos, e pular fora do barco. Sim, quando o barco começa a afundar nós não rezamos, não torcemos para ele parar de afundar. Nós simplesmente aceitamos o fato e pulamos fora. O importante é permanecer vivo para pegar o próximo movimento.

Ora, se erramos mais que acertamos (acertamos em média 30 a 50% das vezes), como pode essa estratégia ser lucrativa? Aí entra o conceito de pay-off da estratégia. Os retornos não são binários. São aleatórios e com diferentes proporções. Na média ganhamos pelo menos 3x mais num trade vencedor quando comparado com o trade perdedor. Se ganharmos, levamos 3. Se perdermos, perdemos 1. Daí porque mesmo que venhamos a errar bastante, ainda assim terminamos com lucro no bolso.
Nos mercados em alta como presenciamos desde 2016, qualquer coisa que se compre está subindo. Fica mais fácil, nosso índice de acertos aumenta, a lucratividade do sistema também. O momento que a estratégia se diferencia e mostra os resultados melhores que os buy and holders de ações, é quando o mercado corrige ou quando inicia uma tendência de baixa. Nesse momento nossa estratégia ordena a saída da posição enquanto o mercado desaba. Ficamos de fora olhando ele cair ao máximo. Só entraremos na retomada do movimento de alta.

Basicamente essa é a filosofia do seguidor de tendência.


Recente estudo analisou esta estratégia nos últimos 110 anos, envolvendo todos os mercados citados a nível global. Foram retiradas as taxas de 2% de administração e 20% de taxa de performance, como a maioria dos fundos desta categoria no exterior. O resultado (resumindo bastante o artigo) mostrou que a adição desta estratégia na carteira clássica de renda fixa + ações, aumentou o retorno médio de todos os períodos analisados (1), diminuiu o tempo dos períodos de queda (drawdown)(2), diminuiu a intensidade das quedas da carteira (3), diminuiu a volatilidade da carteira (4), e melhorou o índice Sharpe da carteira (5). Foram 5 benefícios obtidos na carteira que adotou pelo menos 20% dela com estratégia seguidora de tendência. Esta é a prova científica de que seguir tendências continua funcionando nos últimos 110 anos e tudo nos leva a crer que continuará no futuro, apesar do aumento do volume negociado pela mesma estratégia e aumento da correlação entre mercados (e também outros estudos verificam maior correlação entre os países hoje).

Para dúvidas e contratação da nossa Assessoria, contato pelo holandatrader@hotmail.com

Abraço a todos e bons trades,
Holanda Trader

domingo, 21 de maio de 2017

Por que todos não seguem a Teoria Moderna do Portfólio?

Olá pessoal,

Quando estudamos MPT na academia, tudo parece muito simples. Vamos realizar os cálculos sugeridos (retorno médio, desvio-padrão e correlação) pelo modelo, aplicar em nossa carteira, escolher onde queremos nos posicionar na curva ótima de risco x retorno, rebalancear a cada ano, e ficaremos ricos. Será?

Claro que não!

A Teoria Moderna do Portfólio como foi desenvolvida por Markovitz leva em conta algumas premissas que não são claramente divulgadas, mas que podem ser acessíveis a quem se propõe a estudá-la. Quando se conhecem as premissas, fica mais fácil entender o porquê ela não pode ser facilmente aplicada na prática. Vejamos as principais:

1- A utilidade da riqueza assume função quadrática: isso significa que quanto maior a riqueza, mais averso ao risco o investidor se torna. Ou seja, quanto mais dinheiro tenho, menos risco corro. Isso é o que está na fórmula, porém não acontece na prática: W - b(W)2; sendo b índice de aversão ao risco.
Daí entra a teoria da prospecção (também prêmio Nobel) para explicar como funciona nossa mente e derrubar a matemática de Markowitz. Na prática isso não é observável. Tchau Markowitz.

2- Na curva não devem haver restrições ao investimento. Na prática não conseguimos criar portfólios com posições vendidas em ações por muito tempo devido ao risco e custo da venda de ações no Brasil. Além disso, existem restrições de capital que pode ser alocado na venda devido a garantia exigida pelas corretoras. Outro ponto contrário é a alavancagem da carteira que devido ao custo, também não tem dado bons resultados no Brasil. Outro ponto negativo é o número de ativos. Temos no Brasil ainda certa restrição ao investimento no exterior e acesso à diversificação adequada, em especial no mercado futuro e de opções que ainda estão em desenvolvimento em nosso país, dificultando uma boa alocação que permita mover a fronteira eficiente para esquerda. Somos forçados a investir numa fronteira desviada à direita com maior risco para um determinado nível de retorno.

3- A distribuição dos retornos seguem a normalidade. Outra premissa totalmente teórica. Na prática isso não acontece. A distribuição dos retornos das ações segue uma distribuição leptocúrtica. Ou seja, apresenta caudas mais gordas que a curva normal. Além disso os retorno não são simétricos ao redor do centro e sim desviados à esquerda (skew negativo). Na prática não tem como aplicar esse conhecimento, visto ser simplismente inaplicável para o mercado ao qual se propõe!!! Tchau Markowitz.

4- MPT considera apenas um período. Ou seja, considera que os retornos são independentes no tempo. Isso infelizmente não acontece em longos horizontes. Se isso fosse verdade, as informações dos últimos 5 anos nada poderiam nos afirmar sobre os próximos 5 anos, já que eles seriam independentes. Na verdade os retornos apresentam características de retorno à média ao longo do tempo. Existem vários estudos mostrando isso. Novamente, tchau Markowitz.

Acho que esses argumentos já são suficientes para entender porque a Teoria Moderna do Portfólio apesar de linda no papel, não pode ser aplicada na prática, embora seus conceitos teóricos sempre pairem na cabeça dos alocadores de ativos durante a composição de suas carteiras.

Abraço a todos e bons trades,
Holanda Trader.

Trade encerrado!

Olá pessoal,

Fomos acionados no stop-loss do trade de compra de Ibovespa Futuro aos 64000 pontos com stop loss aos 62.500 pontos. Trade encerrado quando possível pela volatilidade anormal da semana passada.

Tratou-se de um evento classificado como Cisne Negro. Para quem ainda não estudou as obras de Nassim Taleb, trata-se de eventos raros, imprevisíveis e de alto impacto, porém facilmente explicáveis DEPOIS que acontecem.

Seguimos comprados nas ações recomendadas pelo nosso Setup (nenhuma deu saída na última semana) e nos ativos de renda fixa. Apesar do alto beta da carteira de renda variável e do longo durations dos nossos títulos de renda fixa (ultrapassamos os 200% do CDI até o início de Maio), nosso prejuízo total ficou em torno de 5% do portfólio, graças ao grande Alpha da nossa estratégia Holanda Trader e alguns princípios da Teoria da Mínima variância aplicados.

Nossas teses macroeconômicas em nada foram abaladas pelo movimento da semana passada. Revisando resumidamente:

1- Juros: Segue tendência de queda. Seguimos comprados fortemente em pré-fixados curtos e longos; indexados curtos e longos; e pequena porção atrelada ao CDI. Segunda-feira avaliaremos o relatório FOCUS e a curva de juros futuros para reavaliar nossas posições. A princípio nada muda.

2- Ações: Segue tendência de alta. Seguimos comprados fortemente (alocação máxima por perfil) nas ações recomendadas pelo Setup Seguidor de Tendência Holanda Trader.
Nada mudou semana passada, exceto pelo trade anunciado aqui no blog, o qual foi stopado pois com a alavancagem não podemos permitir stop loss grande. Tivemos que cortar o prejuízo enquanto pequeno. Caso Ibovespa retome o movimento de alta, avaliaremos nova entrada.

3- Ouro: Segue em alta em dólar. Mantenho compra de pequeno percentual para fins de hedge e diminuição do volatilidade do portfólio. Lembro que a compra do ouro deve ser dolarizada, não em Real como é negociado na nossa bolsa. Caso compre em Real, tem que fazer o hedge da moeda para neutralizar a variação cambial.

4- Imóveis: Segue com baixa expectativa de recuperação. Apesar da alta recente nos FIIs, estamos de fora do mercado imobiliário.

5- Commodities: Estamos de fora, embora belos movimentos tenham acontecido recentemente no boi, milho e minério de ferro.

6- Hedge Funds: Sigo comprado em alguns raros fundos de hedge com fins de diversificação de estratégia e diminuição de volatilidade. No momento focando em fundo macro e seguidores de tendência. Nenhum long-short.

Por enquanto é isso. Nada de novo no horizonte. Estamos começando a estudar a saída da curva de juros pela proximidade do final do ciclo de queda dos juros, mas o cenário ainda está distante de materializar e por enquanto nada a fazer.

Abraço a todos e bons trades,
Holanda Trader

sábado, 15 de abril de 2017

O que aprendi com David Swensen

Considerado um dos maiores gestores de recursos do mundo, David Swensen é o responsável pela gestão do patrimônio da Universidade de Yale. Quando tomou a gestão em 1985 tinha pouco menos de 1 Bilhão de dólares. Em 2010 o patrimônio valia 16,7Bilhões. Não podemos esquecer ainda que ele é considerado o “inventor” dos swaps. Tudo bem, swap em 2008 se tornou palavrão e arma de destruição em massa, mas não podemos negar a importância desse veículo financeiro e que ainda faz trilhões em negócios no mundo todo nos mais diversos mercados. Claro que não mais com a rentabilidade de quando foram criados, hoje o mercado de swaps está muito mais eficiente.
 Fiz as contas: 11,92%a.a. Considerando que a bolsa lá sobe cerca de 8%a.a. e os títulos públicos são de baixa remuneração, é um resultado extraordinário. A forma de gerir de Swensen se tornou famosa e é chamado “Modelo Swensen”.
Primeira coisa que fez quando assumiu: buscou modelos em outras universidades e outros gestores. Antes disso ele nunca tinha feito gestão de portfólio. O que encontrou? Portfólios compostos de 40% bonds e 60% ações americanas. Ué! E o princípio da diversificação tão ensinado nas universidades? Por que não aumentar a diversificação para diminuir a volatilidade (variância) para o mesmo nível de retorno ou até aumentar o retorno para o mesmo nível de volatilidade?
Outro problema que encontrou nos portfólios de outras instituições: havia uma boa parte do portfolio que não estava em ações. Ué, mas se o mercado acionário dá o maior retorno histórico e o objetivo é de longuíssimo prazo, porque não aumentar a exposição a ações? Sua primeira dúvida veio em determinar sua alocação estratégica. Quanto colocar em cada classe de ativo? Ações domésticas, ações internacionais, bonds, venture capital... A segunda preocupação: fazer Market Timming? Ele fez através de pesos diferentes em diferentes mercados acionários de diferentes países. Exemplo, se o mercado acionário norteamericano estava considerado caro por métricas de valuation, ele aumentaria o peso em ações emergentes mais baratas. Não seria o timming de acertar movimentos do mercado como os elliotistas fazem, mas um timming baseado em alocação tática de diferentes países, em diferentes mercados acionários. Outra dúvida: seleção de ativos. Comprar fundos de índice ou fazer gestão ativa para bater o mercado?
Vamos lembrar que o mercado é um jogo de soma zero, ou mais precisamente, um jogo de soma negativa devido aos custos envolvidos. A soma do que um ganha deve igualar o que o outro perde ou deixa de ganhar.
Alocação de ativos é o principal determinante dos retornos dentro dos fatores que podemos modificar. O maior de todos é o movimento do mercado (nota minha). Se você faz day-trade, alocação tem peso zero nos seus retornos. Nesse caso todo seu retorno vem do Market timming. Market timming é caro, assim como seleção de ativos.  Não é o caso da Yale. Eles tem um portfólio de longuíssimo prazo e a alocação faz toda diferença. Então, ao tirar o sistema de Market timming e seleção de ativos, você já elimina dois pontos de alto custo dentro do seu portfólio e cujos retornos tendem a zero, ou mais realisticamente, tendem a negativo devido aos custos envolvidos.
Bem, ações dão o maior retorno histórico. Então porque não colocar 100% do capital em ações? Lembram a crise de 29? As ações de empresas pequenas (as mais rentáveis historicamente) chegaram a perder 90% de seu valor. Então seria psicologicamente intolerante colocar 90% do patrimônio em risco, pois a partir de determinado ponto tendemos a achar que o jogo está perdido e não tem mais volta. Provavelmente antes de perder os 90% já teríamos vendido toda posição e voltado para os títulos do governo com a promessa de que nunca mais compraríamos ações, apenas para ver o mercado subir forte nos próximos 50 anos. Daí a importância de diversificar para diminuir a volatilidade do portfólio.
Um estudo da Morningstart por 10 anos em fundos mútuos comparou os retornos de fundos com retorno no tempo e retorno em capitalização. Para todos os períodos estudados, os retornos em capitalização superaram o retorno no tempo, mostrando que os investidores entravam e saíam dos fundos nos piores momentos. Daí o porque o retorno no tempo era sempre menor e o retorno dos fundos que mais recebiam aportes eram aqueles que tinham acabado de ter bom desempenho, apenas para ter um mau desempenho log após. E os fundos que mais perderam capital foram aqueles que tiveram um desempenho ruim no curtíssimo prazo. Ou seja, os investidores tendem  a entrar após um desempenho bom e sair após o desempenho ruim. O ideal seria o contrário. Ou seja, não tente fazer Market Timming. Na média não é possível.
Outro estudo avaliou os 10 melhores fundos de tecnologia na bolha de 2000. Investidores perderam 72% (9,9Bilhões) do dinheiro investido nesses fundos após o estouro da bolha. O retorno desses fundos foi em média 1,5% a.a. nos últimos 6 anos. Como podem ter perdido se os fundos deram resultados positivos? Obviamente quase ninguém estava investido em 1996, 1997, 1998, e em 1999 quando os retornos se tornaram estratosféricos, houve um grande influxo de capital. Logo após houve o estouro da bolha e resgatam seus prejuízos. Novamente: não façam Market timming. Você não é capaz.
Qual sua chance de escolher a melhores ações para bater o mercado? Bom, você pessoa física, praticamente nenhuma. Considerando que você escolheu gestores profissionais de fundos de ações para fazer essa seleção para você, após 10 anos, apenas 14% dos fundos tiveram resultados melhores que o índice. Nesses 14% já está incluído o viés de sobrevivência, pois dos 30361 fundos iniciais, 11232 fecharam, provavelmente por péssimos resultados. A fusão de fundos com resultado ruim em outro de bom resultado é outra forma de ocultar os más-resultados. Ou seja, mais de 1/3 dos fundos fecharam. Mesmo assim, apenas 14% conseguiu bater o índice.
Num mercado eficiente como o mercado de ações americano, ao melhor a fazer é seguir o benchmark. Suas chances de bater o índice no longo prazo são muito pequenas. No mercado de títulos, a eficiência é ainda maior, na média os retornos não variam mais que 0,5% a.a. Large caps 2% a.a., ações internacionais pode chegar a 4% a.a., imóveis 9,3%, venture capital 43% de ineficiência.
As críticas ao Modelo Swensen: no pânico apenas 2 coisas importam – segurança e diversificação. Se colocarmos 30% em títulos, estaremos diminuindo a volatilidade, mas incorrendo num grande custo de oportunidade pois logo após o pânico, 6, 12 ou 18 meses o mercado recupera e deixamos de lucrar nos 30%. Críticas a colocar ativos alternativos no portfolio, porém foram os grandes retornos do portfólio: bonds 5,9%aa, private equity 6,2%, imóveis 6,9%, absolute return 11,1%aa, oil and gas 27,1%a.a. Então, se você tem um horizonte de tempo muito grande faz sentido desviar o portfolio em direção a alternativos e ações.
Outras instituições em média tiraram 4% aa. Yale conseguiu em 25 anos 13,1%a.a. O maior retorno em instituições nos EUA. Swensen é uma lenda viva e certamente tem muito a nos ensinar em gestão de portfólio para o longo prazo.
O trabalho do gestor não é selecionar os melhores ativos. Ele faz parcerias com outras instituições que executem esse trabalho para ele. Encontrar os melhores gestores de fundos de hedge, os melhores gestores de ações pequenas, etc. Esses agentes atuam em favor da universidade. Lembrando que Yale não paga impostos e isso influi muito nos resultados quando comparado com a pessoa física. Outro ponto importante é que a maioria dos indivíduos e instituições não tem como fazer seleção ativa de ativos para bater o mercado. Poucas horas por semana não são suficientes para isso. Yale tem as parcerias que conseguem bater o mercado. A pessoa física não deve sequer tentar fazer isso. Compre fundo de índice e rebalanceie quando necessário. Faça uma boa alocação de ativos e mantenha dentro dos limites pré-determinados. Por exemplo, ele sabe que setores como biotecnologia são pouco eficientes ainda e ele tem um gestor que consegue bons resultados nessa área.
Swensen recomenda ou ser agressivamente ativo ou ser totalmente passivo! Ambas as estratégias podem ser vencedoras. A maioria das pessoas fica no meio, com parte passiva e parte do portfólio ativa e terminam pagando por gestão ativa e tem retornos abaixo da média. Isso não funciona.

E para terminar, assim como eu, Swensen não concorda com o uso do Sharpe para medir risco (apenas mede variância). Quanto mais ilíquido o portfolio, mais falsamente alto será o Sharpe, pois não haverá cotação e oscilação diária para aumentar o desvio-padrão.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Início da compra alavancada no Ibovespa

Olá amigos leitores do Blog Holanda Trader!

Iniciamos neste exato momento (06/04/17 às 16h) a compra alavancada em 200% da nossa posição total no índice futuro de Ibovespa aos 64.000 pontos.
Nosso stop loss está nos 62.500 pontos e alvo de lucro nos 75.000 pontos.

Racional do trade se deve à possível conclusão do abc corretivo que se iniciou ontem e atingimos a retração de 61,8% do último movimento de alta com stop no fundo do que seria a onda 1. Estamos com um risco de 1.500 pontos para um alvo de 11.000 pontos, o que nos permite entrar com folga nesse trade.

Vamos acompanhar. Se viermos a perder o último fundo, então a contagem das ondas está errada e não vale a pena continuar comprado.

Abraço a todos e bons trades,
Holanda Trader